A criação em tempo de ser uma obra-prima, aos olhos dos outros, é capaz de deflagrar, em ódio e inveja, o que na verdade, deveria ser visto como a salvação. O trabalho contra o tempo é de gerar constante insatisfação na inconstância da necessidade produtiva em contraposição com a vontade de produzir, que nada mais é que a criatividade em abundância aflorando no ser. Rês ser, enjaulado, encarcerado na habilidade das próprias mãos e na capacidade imersiva do pensar, do cérebro, das faculdade da alma, presa nos grilhões da dita evolução humana, ocaso da vida em comunhão.
Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha: - Me abro para uma de cada vez. Me entrego até o fim, Toda a doçura se vai de mim. Não me importo com a beleza em si, contanto que me cheirem, que me toquem... É o suficiente para me fazer sorrir. Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala: - Bela! Mas que bela! Não concordo com o discurso, mas o mesmo não me interessa. Eu quero todas pra mim, ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça! Eu sou assim. Eu coleciono cheiros, cores, sabores. Prefiro amar sem fim, muitos foram os meus amores. A minha vida é só prazer e sim, polinizo... sem querer, é a natureza do meu ser. E nesse momento, a flor ofendida não chora, porém derrama uma gota de orvalho no chão vermelho cor de amora. A borboleta, atônita, se retira a favor do vento para então não se cansar. Também dessa conquista sempre se lembrará, mas em respeito a flor não comemora.
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