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Devaneio de domingo.

Qualquer lugar que seja meu por um segundo.
Qualquer instante de paz que reine em silêncio profundo.
Qualquer raio de Sol que clareie meus pensamentos, meu espírito.
Qualquer momento que eu respire e me sinta parte desse mundo.

Uma gota de chuva que me desperte à atenção.
Um beijo roubado que me instigue o tesão.
Um sorriso largo de quem quer mostrá-lo além da boca.
Um abraço apertado que me esquente o coração.

O momento exato de se saber parar.
O impulso forte de se levantar.
O caminho torto até se perder.
O sincero querer de se encontrar.

A caneta é falha, mas o bilhete foi escrito.
A transpiração em palavras pra conter o grito.
A tão sonhada paz, longe em dimensões gigantes.
A certeza de que estou prestes a mergulhar no infinito.

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Não é uma história de amor entre a borboleta e a flor.

Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha: - Me abro para uma de cada vez. Me entrego até o fim, Toda a doçura se vai de mim. Não me importo com a beleza em si, contanto que me cheirem, que me toquem... É o suficiente para me fazer sorrir. Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala: - Bela! Mas que bela! Não concordo com o discurso, mas o mesmo não me interessa. Eu quero todas pra mim, ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça! Eu sou assim. Eu coleciono cheiros, cores, sabores. Prefiro amar sem fim, muitos foram os meus amores. A minha vida é só prazer e sim, polinizo... sem querer, é a natureza do meu ser. E nesse momento, a flor ofendida não chora, porém derrama uma gota de orvalho no chão vermelho cor de amora. A borboleta, atônita, se retira a favor do vento para então não se cansar. Também dessa conquista sempre se lembrará, mas em respeito a flor não comemora.

O que me conduz.

O que me conduz não é água, o que me conduz não é fogo. Me conduz o seu sorriso e a gargalhada boa. Me conduz a sua luz quando perdido na escuridão. Abro os braços sem temer e me envolvo em serena paz. Não me importa a insegurança, o medo é pouco perto do abismo, onde a água cai e de longe, numa caichoeira bela a paisagem se encerra. Me conduz o meu espírito entre o bom e o mau caminho. Dentre inúmeros acasos, perdido e sozinho me encontro em teu ninho.

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