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Vou e deixo fluir.

   Devanear é uma dádiva, divina poesia da imaginação. Criação maior de todos nós, no íntimo mais fundo, abismo da alma indescritível, indecifrável e irreconhecível, muitas vezes por nós mesmos. Nem saberíamos que fazem parte de nós se não estivessem em nossas mentes tonteadas de sentimentos e sensações, coerentes, confusas, sublimes ou terríficas.
    Não preciso dizer quem, o que, quando, ou onde. A vontade de gritar pro mundo é mundana. Eu quero gritar, mas que se grite com o pensamento. Aquele que mesmo assim me ouvir será muito mais digno de saber o que se passa nesse tornado interno, de coração grande, corpo frágil, alma rebelde e mente confusa. A vontade de gritar é mundana. Então que se mude de vontade, ou que se entenda melhor a mesma.
    Quem disse que quero coisas desse mundo? Desse mundo eu já comi, bebi, cherei, senti, senti muito, de diversas formas, boas, ruins, profundas e rasas. Vou pensar alto, no último volume, pra ecoar no universo, a vontade, ficar a vontade comigo mesmo, ir e deixar fluir. Se alguém me seguir eu não ligo, só não podem me impedir. E de qualquer forma não vão conseguir. Não quero coisas daqui e o que eu tenho ninguém me tira. Não estou bancando o machão, estou sendo sincero, franco mesmo. Como se extrai algo de alguém se esse mesmo alguém não consegue controlar? É impossível. O impossível me pertence e com ele quero ficar.

Comentários

Nacarolina (que não é robô) disse…
"Eu quero gritar, mas que se grite com o pensamento. Aquele que mesmo assim me ouvir será muito mais digno de saber o que se passa nesse tornado interno, de coração grande, corpo frágil, alma rebelde e mente confusa." gostei disso.
Lúcia Mello disse…
Quem disse que quero coisas desse mundo? Não quero coisas daqui e o que eu tenho ninguém me tira. Não estou bancando o machão, estou sendo sincero, franco mesmo. Como se extrai algo de alguém se esse mesmo alguém não consegue controlar? É impossível. O impossível me pertence e com ele quero ficar.

¨¨ Essa parte define bem o quanto você tem para nada, O Impossível, O imprevisto, que nem você mesmo sabe aonde vai.Aquele mesmo que digo e falo e repito. O Gênio significado:

Pessoa de extraordinária potência intelectual e/ou que possui grande domínio ou conhecimento em determinado assunto. è o que você é.
Parabéns!!! Belíssimo!!!


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Não é uma história de amor entre a borboleta e a flor.

Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha: - Me abro para uma de cada vez. Me entrego até o fim, Toda a doçura se vai de mim. Não me importo com a beleza em si, contanto que me cheirem, que me toquem... É o suficiente para me fazer sorrir. Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala: - Bela! Mas que bela! Não concordo com o discurso, mas o mesmo não me interessa. Eu quero todas pra mim, ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça! Eu sou assim. Eu coleciono cheiros, cores, sabores. Prefiro amar sem fim, muitos foram os meus amores. A minha vida é só prazer e sim, polinizo... sem querer, é a natureza do meu ser. E nesse momento, a flor ofendida não chora, porém derrama uma gota de orvalho no chão vermelho cor de amora. A borboleta, atônita, se retira a favor do vento para então não se cansar. Também dessa conquista sempre se lembrará, mas em respeito a flor não comemora.

Tudo calma, tudo acalma, tudo é calma.

   Campo verde limpo, grama, o sol tocando a pele de leve e a brisa pra contrapor o calor.    Sorvete de creme, morango, suco de laranja, pra movimentar dançar tango.    Um som familiar, tambor, cuíca, violão e o surdo comanda o samba.    Sorriso grande, sem vergonha, piada de tudo. Da vida a gente ri pra não morrer de desgosto.    Esperança sem ficar esperando, andando, sem parar, pra frente e sempre forte almejando pra alcançar a calma, o amor.

Mulheres.

   Eu vim aqui para falar das mulheres, fêmeas efêmeras, de passos passageiros e marcantes na carne, no sangue, no corpo e na alma. Mulheres que acalmam, que precedem a paz do paraíso nos milésimos que antecedem o gozo, a dança, o balé na cama, o adágio antes da pirueta.    Eu vim aqui falar de coxas que se abrem para receber amor e dar a vida ao mundo cão. Das peles macias,   dos cheiros doces, que lembram flores, que lembram frutas, que fazem salivar. Fazem da dor um grande prazer, da aspereza das paredes que roçam na carne nua às súbitas trocas de corações decadentes por outros mais ardentes.   Às atrozes, às algozes, às belas, às inteligentes, às mentes, os dentes, às fortes, aos seus pés, sempre.