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Não é uma história de amor entre a borboleta e a flor.

Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha:
- Me abro para uma de cada vez.
Me entrego até o fim,
Toda a doçura se vai de mim.
Não me importo com a beleza em si,
contanto que me cheirem, que me toquem...
É o suficiente para me fazer sorrir.

Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala:
- Bela! Mas que bela!
Não concordo com o discurso,
mas o mesmo não me interessa.
Eu quero todas pra mim,
ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça!
Eu sou assim.
Eu coleciono cheiros, cores, sabores.
Prefiro amar sem fim,
muitos foram os meus amores.
A minha vida é só prazer
e sim, polinizo... sem querer,
é a natureza do meu ser.

E nesse momento, a flor ofendida não chora,
porém derrama uma gota de orvalho
no chão vermelho cor de amora.
A borboleta, atônita, se retira a favor do vento
para então não se cansar.
Também dessa conquista sempre se lembrará,
mas em respeito a flor não comemora.

Comentários

Aline disse…
Belíssimo! E que final bonito... Doce...
Igor Carbonel disse…
Muito obrigado Aline!
Nacarolina disse…
Gosti (:

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O que me conduz.

O que me conduz não é água, o que me conduz não é fogo. Me conduz o seu sorriso e a gargalhada boa. Me conduz a sua luz quando perdido na escuridão. Abro os braços sem temer e me envolvo em serena paz. Não me importa a insegurança, o medo é pouco perto do abismo, onde a água cai e de longe, numa caichoeira bela a paisagem se encerra. Me conduz o meu espírito entre o bom e o mau caminho. Dentre inúmeros acasos, perdido e sozinho me encontro em teu ninho.

Encarnado

Uma alma entre ossos a vagar, correr e gritar não são opções contra seus grilhões. Os rios, os ventos, libertos pela força da natureza lhe invejam a decadência da carne, sua pobreza. E nos instantes mais íntimos de sofreguidão tamanha estende-se misteriosa mão coberta de luz e lhe apanha.

Vou e deixo fluir.

   Devanear é uma dádiva, divina poesia da imaginação. Criação maior de todos nós, no íntimo mais fundo, abismo da alma indescritível, indecifrável e irreconhecível, muitas vezes por nós mesmos. Nem saberíamos que fazem parte de nós se não estivessem em nossas mentes tonteadas de sentimentos e sensações, coerentes, confusas, sublimes ou terríficas.     Não preciso dizer quem, o que, quando, ou onde. A vontade de gritar pro mundo é mundana. Eu quero gritar, mas que se grite com o pensamento. Aquele que mesmo assim me ouvir será muito mais digno de saber o que se passa nesse tornado interno, de coração grande, corpo frágil, alma rebelde e mente confusa. A vontade de gritar é mundana. Então que se mude de vontade, ou que se entenda melhor a mesma.     Quem disse que quero coisas desse mundo? Desse mundo eu já comi, bebi, cherei, senti, senti muito, de diversas formas, boas, ruins, profundas e rasas. Vou pensar alto, no último volume, pra ecoar no universo, a...