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Cleptomaníacos de sentimentos.

    Tenho andado meio ladrão nos últimos tempos. Cleptomaníaco de sentimentos. Tenho roubado amor, solidariedade e paciência. Se não roubar entro logo em abstinência.Roubar da riqueza de todas as coisas simples, nisso que meu roubo se implica. É um roubo que não é egoísta, não restringe, ao contrário, multiplica.
    "Eu podia estar matando" ,mas só roubo da fonte certa. E para enganar a larica braba, me serve as pampas um copo d'água. Não quero bancar de esperto, de bacana, ou de poeta. Quero apenas ensinar o que sei pra quem precisa andar em linha reta.
    Robin Hood estava certo, que a lenda se faça viva. Tirar dos ricos para dar aos pobres é uma boa alternativa. E a estima do amor sublime pra melhora coletiva se dará através dos roubos, dos novos loucos e do futuro de suas iniciativas.

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Não é uma história de amor entre a borboleta e a flor.

Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha: - Me abro para uma de cada vez. Me entrego até o fim, Toda a doçura se vai de mim. Não me importo com a beleza em si, contanto que me cheirem, que me toquem... É o suficiente para me fazer sorrir. Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala: - Bela! Mas que bela! Não concordo com o discurso, mas o mesmo não me interessa. Eu quero todas pra mim, ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça! Eu sou assim. Eu coleciono cheiros, cores, sabores. Prefiro amar sem fim, muitos foram os meus amores. A minha vida é só prazer e sim, polinizo... sem querer, é a natureza do meu ser. E nesse momento, a flor ofendida não chora, porém derrama uma gota de orvalho no chão vermelho cor de amora. A borboleta, atônita, se retira a favor do vento para então não se cansar. Também dessa conquista sempre se lembrará, mas em respeito a flor não comemora.

Tudo calma, tudo acalma, tudo é calma.

   Campo verde limpo, grama, o sol tocando a pele de leve e a brisa pra contrapor o calor.    Sorvete de creme, morango, suco de laranja, pra movimentar dançar tango.    Um som familiar, tambor, cuíca, violão e o surdo comanda o samba.    Sorriso grande, sem vergonha, piada de tudo. Da vida a gente ri pra não morrer de desgosto.    Esperança sem ficar esperando, andando, sem parar, pra frente e sempre forte almejando pra alcançar a calma, o amor.

Mulheres.

   Eu vim aqui para falar das mulheres, fêmeas efêmeras, de passos passageiros e marcantes na carne, no sangue, no corpo e na alma. Mulheres que acalmam, que precedem a paz do paraíso nos milésimos que antecedem o gozo, a dança, o balé na cama, o adágio antes da pirueta.    Eu vim aqui falar de coxas que se abrem para receber amor e dar a vida ao mundo cão. Das peles macias,   dos cheiros doces, que lembram flores, que lembram frutas, que fazem salivar. Fazem da dor um grande prazer, da aspereza das paredes que roçam na carne nua às súbitas trocas de corações decadentes por outros mais ardentes.   Às atrozes, às algozes, às belas, às inteligentes, às mentes, os dentes, às fortes, aos seus pés, sempre.