Pular para o conteúdo principal

Mulheres.

   Eu vim aqui para falar das mulheres, fêmeas efêmeras, de passos passageiros e marcantes na carne, no sangue, no corpo e na alma. Mulheres que acalmam, que precedem a paz do paraíso nos milésimos que antecedem o gozo, a dança, o balé na cama, o adágio antes da pirueta.
   Eu vim aqui falar de coxas que se abrem para receber amor e dar a vida ao mundo cão. Das peles macias,   dos cheiros doces, que lembram flores, que lembram frutas, que fazem salivar. Fazem da dor um grande prazer, da aspereza das paredes que roçam na carne nua às súbitas trocas de corações decadentes por outros mais ardentes.
  Às atrozes, às algozes, às belas, às inteligentes, às mentes, os dentes, às fortes, aos seus pés, sempre.

Comentários

ramendola disse…
Muito lindo...Igor...
Beijos
Anna Carol disse…
mandou bem !!! gostei !!
Unknown disse…
Nossa, que lindo!

Postagens mais visitadas deste blog

O que me conduz.

O que me conduz não é água, o que me conduz não é fogo. Me conduz o seu sorriso e a gargalhada boa. Me conduz a sua luz quando perdido na escuridão. Abro os braços sem temer e me envolvo em serena paz. Não me importa a insegurança, o medo é pouco perto do abismo, onde a água cai e de longe, numa caichoeira bela a paisagem se encerra. Me conduz o meu espírito entre o bom e o mau caminho. Dentre inúmeros acasos, perdido e sozinho me encontro em teu ninho.

Encarnado

Uma alma entre ossos a vagar, correr e gritar não são opções contra seus grilhões. Os rios, os ventos, libertos pela força da natureza lhe invejam a decadência da carne, sua pobreza. E nos instantes mais íntimos de sofreguidão tamanha estende-se misteriosa mão coberta de luz e lhe apanha.

Vou e deixo fluir.

   Devanear é uma dádiva, divina poesia da imaginação. Criação maior de todos nós, no íntimo mais fundo, abismo da alma indescritível, indecifrável e irreconhecível, muitas vezes por nós mesmos. Nem saberíamos que fazem parte de nós se não estivessem em nossas mentes tonteadas de sentimentos e sensações, coerentes, confusas, sublimes ou terríficas.     Não preciso dizer quem, o que, quando, ou onde. A vontade de gritar pro mundo é mundana. Eu quero gritar, mas que se grite com o pensamento. Aquele que mesmo assim me ouvir será muito mais digno de saber o que se passa nesse tornado interno, de coração grande, corpo frágil, alma rebelde e mente confusa. A vontade de gritar é mundana. Então que se mude de vontade, ou que se entenda melhor a mesma.     Quem disse que quero coisas desse mundo? Desse mundo eu já comi, bebi, cherei, senti, senti muito, de diversas formas, boas, ruins, profundas e rasas. Vou pensar alto, no último volume, pra ecoar no universo, a...