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O dilema da montanha - parte 1.

 

O encontro.

Carisi e Ildor se conheceram em uma assembleia regional onde cada morador que quisesse expressar suas ideias era ouvido pelos eleitos líderes e Ildor era um deles. Vindo de criação carpinteira, Ildor seguiu os passos de seus pais vendendo e trocando ferramentas por comida, água e alguns pergaminhos. Ao longo de seu crescimento ele aprendeu a ler dois dialetos locais e exercitou seu pensamento crítico inspirado nas Colônias do Note, onde o conceito de política e estruturas coletivas-administrativas eram empregadas pelo povo que lá vivia. Na reunião  Carisi expôs ao grupo de vizinhos da região suas ideias sobre plantio, controle, armazenamento de alimento e distribuição de caça, dividindo cada grupo de adultos produtivos em nichos de trabalho de acordo com suas aptidões. Após meses de reuniões, a vila se moldou a essa estrutura, o que trouxe diversos benefícios à comunidade além do desenvolvimento das estruturas coletivas-administrativas extensamente debatidas por Ildor, Farah, Senra e Lodren, eleitos naquele ano para o decênio seguinte. A visão de produção e trabalho em grupo despertaram grande respeito e afeto em Ildor por Carisi, que em pouco tempo se declarou à ele, convidando-o ao convívio em seu lar.

Nos dois primeiros anos juntos adotaram três animais de convívio, Dira, a grande líder da matilha, aproximadamente 72 libras, dourada e branca, de pelo espesso como o de um lobo, serena, pacífica, porém protetora fiel de todos do grupo familiar. Jaur, porte grande, 61 libras, com pelo mais fino e preto era coberto por um velho capuz impermeável de pele de castor, feito para Carisi por seu pai, quando ele ainda era criança, para anos depois caber perfeitamente em seu amigo peludo e friorento. Furry era o menor, porém não menos valente do grupo canino, pesava 55 libras, seu pelo tinha três cores, marrom claro, que se destacava em sua cabeça, cobrindo focinho, olhos e orelhas, em suas patas, cujos dedos eram brancos, fazendo parecerem luvas naturais e uma capa preta que se estendia por detrás de sua cabeça ao longo do tronco indo até a ponta da sua comprida cauda.

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Desabafa em voz a flor, pensando estar sozinha: - Me abro para uma de cada vez. Me entrego até o fim, Toda a doçura se vai de mim. Não me importo com a beleza em si, contanto que me cheirem, que me toquem... É o suficiente para me fazer sorrir. Ouvindo isso a borboleta se aproxima roubando néctar e fala: - Bela! Mas que bela! Não concordo com o discurso, mas o mesmo não me interessa. Eu quero todas pra mim, ao mesmo tempo é ainda melhor, (gargalhou) sou uma peça! Eu sou assim. Eu coleciono cheiros, cores, sabores. Prefiro amar sem fim, muitos foram os meus amores. A minha vida é só prazer e sim, polinizo... sem querer, é a natureza do meu ser. E nesse momento, a flor ofendida não chora, porém derrama uma gota de orvalho no chão vermelho cor de amora. A borboleta, atônita, se retira a favor do vento para então não se cansar. Também dessa conquista sempre se lembrará, mas em respeito a flor não comemora.

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