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Deitados na rede.

   Muitos de nós estamos deitados na rede. Estou deitado na rede. Estamos deitados na rede e desnudos. As nossas roupas estão no varal ao lado, de perfil. Estamos nus e chorando, sorrindo, reclamando, rezando, comentando, curtindo, compartilhando informações.
   Nós somos informações, algumas interessantes, mas em grande maioria desinteressantes. Informações desinteressantes sobre vidas maçantes. Estamos todos deitados na rede e essa rede balança, balança rápido, rápido demais para que essas informações sejam recebidas com a importância que merecem, ou que sejam ignoradas com a importância que merecem.

Comentários

Fábio Schrepel disse…
Eu recebi esse seu texto com importância. Hoje em dia vivemos de excessos vazios, como um homem sedento que bebe água salgada desesperadamente e apenas aumenta sua sede.
Igor Carbonel disse…
Belas palavras, Fábio. :D

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O que me conduz.

O que me conduz não é água, o que me conduz não é fogo. Me conduz o seu sorriso e a gargalhada boa. Me conduz a sua luz quando perdido na escuridão. Abro os braços sem temer e me envolvo em serena paz. Não me importa a insegurança, o medo é pouco perto do abismo, onde a água cai e de longe, numa caichoeira bela a paisagem se encerra. Me conduz o meu espírito entre o bom e o mau caminho. Dentre inúmeros acasos, perdido e sozinho me encontro em teu ninho.

Encarnado

Uma alma entre ossos a vagar, correr e gritar não são opções contra seus grilhões. Os rios, os ventos, libertos pela força da natureza lhe invejam a decadência da carne, sua pobreza. E nos instantes mais íntimos de sofreguidão tamanha estende-se misteriosa mão coberta de luz e lhe apanha.

Vou e deixo fluir.

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