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Carta de adeus ao leitor.

    Caros leitores, venho por meio desta despedir-me, não mais escreverei. Cada palavra que me sai do pensamento e se transfigura em linguagem escrita leva consigo uma parte de mim. Muitas partes já doei, outras foram tiradas, muitas arrancadas a força, com força tremenda que me doeu o íntimo, outras foram suaves como flores roçando a minha pele e dentre essas algumas até me geraram leve prazer.
    Mas a verdade é que não me aguento mais em forças. Não posso mais perder-me de mim, por vontade, ou sem vontade, sinto-me roubado a vida por cada palavra escrita, proferida, que me fere, que me tira aos poucos a vida. Não mais aguentarei. Ou morro escrevendo e me esvaindo, ou paro e vivo bem, vivo cada palavra ao invés de apenas assisti-la em formato de gloriosa impressão minuciosa e bela.
    Esta é a despedida daquele que vos escreveu esta carta e muitas outras histórias. Minha pena não mais será irrigada em tinta preta. Adeus.

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O que me conduz.

O que me conduz não é água, o que me conduz não é fogo. Me conduz o seu sorriso e a gargalhada boa. Me conduz a sua luz quando perdido na escuridão. Abro os braços sem temer e me envolvo em serena paz. Não me importa a insegurança, o medo é pouco perto do abismo, onde a água cai e de longe, numa caichoeira bela a paisagem se encerra. Me conduz o meu espírito entre o bom e o mau caminho. Dentre inúmeros acasos, perdido e sozinho me encontro em teu ninho.

Encarnado

Uma alma entre ossos a vagar, correr e gritar não são opções contra seus grilhões. Os rios, os ventos, libertos pela força da natureza lhe invejam a decadência da carne, sua pobreza. E nos instantes mais íntimos de sofreguidão tamanha estende-se misteriosa mão coberta de luz e lhe apanha.

Vou e deixo fluir.

   Devanear é uma dádiva, divina poesia da imaginação. Criação maior de todos nós, no íntimo mais fundo, abismo da alma indescritível, indecifrável e irreconhecível, muitas vezes por nós mesmos. Nem saberíamos que fazem parte de nós se não estivessem em nossas mentes tonteadas de sentimentos e sensações, coerentes, confusas, sublimes ou terríficas.     Não preciso dizer quem, o que, quando, ou onde. A vontade de gritar pro mundo é mundana. Eu quero gritar, mas que se grite com o pensamento. Aquele que mesmo assim me ouvir será muito mais digno de saber o que se passa nesse tornado interno, de coração grande, corpo frágil, alma rebelde e mente confusa. A vontade de gritar é mundana. Então que se mude de vontade, ou que se entenda melhor a mesma.     Quem disse que quero coisas desse mundo? Desse mundo eu já comi, bebi, cherei, senti, senti muito, de diversas formas, boas, ruins, profundas e rasas. Vou pensar alto, no último volume, pra ecoar no universo, a...